Sunday, December 11, 2011

Sinto saudades de me apaixonar. Saudade de me entusiasmar com o telefone a tocar, a hora que nunca mais chega, o tempo que só passa quando estamos juntos.
Saudades de sentir que é realmente “ali” que quero estar. Com aquela pessoa. E parece que então, o mundo faz sentido, e a vida é doce e entusiasmante, de uma forma única.
A sensação dos braços que são o melhor lugar do mundo para se estar, os reencontros, as descobertas apaixonantes. As memórias repetidas como que em película de cinema, com fast and forward, vezes e vezes sem conta. E cada uma delas provoca um aperto, duma intensidade e sabor únicos, a cada repetição.
E parece que o tempo nunca é demais, e só se olha para o relógio para tentar ficar mais um pouco.
As promessas, os olhares intensos, os sorrisos cúmplices, e as soluções para tudo, enquanto houver vida.
Nesse tempo, o passado não tem presença, e por isso, os medos e fantasmas não têm lugar.
Disso, não consigo abdicar.

Sunday, December 4, 2011

Fica mais um pouco

Parece que toda a gente acha bem termos uma vida social, sim, porque somos seres sociais e a sociedade faz-nos falta. Mas mesmo que tentemos, não iremos conseguir deixar de ter vida social. Não podemos viver numa caverna.
Mas que raio de vida social é esta, das noites nos bares, com música berrante, fumo intoxicante, vestidos reluzentes e ninguém a falar com ninguém? E ficamos mais um pouco, porque ainda é cedo para ir para casa. É cedo para acabar com uma coisa que não dá prazer nenhum, e com a qual não ganhamos nada. Não percebo. E fico mais um pouco e tento perceber a motivação de quem me pede para ficar mais um pouco. Olho à volta, e toda a gente olha à volta. Depois cruzam-se uns olhares, de pessoas que nunca vou querer conhecer, pois não gosto de pessoas que se vestem daquela forma. Não sei como sei, talvez por associação a outras pessoas que tive de conhecer, e que se vestiam daquela forma.
Penso no que gostaria realmente de estar a fazer. Várias coisas, mas essencialmente a dormir. É tarde, tenho sono, frio, e detesto o cheiro a cigarro. Podia estar a dormir.
Espero mais um pouco e olho para o copo da bebida que já terminei. Não quero outra, porque quero estar preparada para ir embora, e pedir outra bebida iria comprometer-me em mais meia hora, pelo menos.
Olho à volta, e penso nas reais motivações para estar ali. As pessoas dizem que só saindo conhecermos pessoas novas. E parece que quero conhecer pessoas novas. Na realidade não quero, até porque não aprecio assim tanto as pessoas no geral. Quero conhecer alguém, como a maioria das pessoas que ali está. Aquela pessoa em particular com quem vamos querer partilhar a vida. E como é que isso se faz? Ao que parece é saindo… Pois, em casa, só se for o homem das pizzas.

Sunday, November 20, 2011

Velhos amigos

Hoje tive um encontro virtual muito feliz. Decidi ficar por casa para aproveitar o silêncio de um serão sem pressa de dormir. Ao fazê-lo fui presenteada com duas conversas deliciosas, com pessoas que cruzaram a minha vida na mesma altura e por quem sinto uma ternura do mais puro e genuíno.
Curioso, raramente falo com eles, e hoje, falei com os dois em simultâneo. Foi um pequenino regresso ao passado, com sabor a conversa de café de sábado à noite.
Em breve tenciono visitá-los pessoalmente à terra das tulipas, que é só a minha flor de eleição. :)))

O "in" das relações

Será que alguma vez o amei realmente? Ou terei amado a ideia de ter algo tão inatingível? A linha entre as duas ideias parece bastante difusa. Não consigo distinguir o que era mais fascinante. A ideia de conhecer um mundo novo, o facto de saber que não lhe devia pertencer, ou a pessoa com quem o queria fazer.
O mundo das relações é um conjunto de vontades, desejos, necessidades, personalidades, que torna tudo muito complicado de definir.
Conhecendo a mim própria, dentro do possível, conheço também a minha vontade de ter o inalcançável. Conheço ainda melhor a minha reacção quando me dizem que é impossível. E só sei parar quando tiver conseguido. Será que foi o que fiz? Será que não segui obstinadamente uma conquista impossível, só para provar a mim mesma que conseguia?
Cada relação é feita de momentos. Momentos entre as partes, e momentos de cada uma das partes. Os sentimentos de tristeza, fragilidade, abandono, desenham momentos do próprio que condicionam a relação das partes. Noutro contexto, teria eu tido as mesmas atitudes?
Porque decidi manter as amarras para ser chicoteada? Sim porque, embora o chicote estivesse na mão de outra pessoa, eu escolhi continuar presa. Será ainda por pensar que nada é pior do que não ter nada? Mas não é. Sem nada estava eu a ficar. Sem dignidade sequer.
Aprendi a não correr atrás do impossível. Porque o impossível existe e é ditado por uma das partes. Unicamente por isso.
Aprendi ainda que não sou uma pessoa do meu tempo. Não estou preparada para relações indefinidas, invulgares, ou mascaradas de qualquer outro “in”, ou qualquer outra cor que não a da sinceridade.
Não me considero uma pessoa romântica, mas tenho sentimentos nobres. E não me identifico com as indefinições que as pessoas atribuem às relações, que não passam de caprichos de quem tudo quer só por querer.
Apesar de tudo, acredito no amor, e é essa partilha que procuro.

Friday, November 4, 2011

Curioso constatar que todos os dias o meu blog recebe visitas...
Serão visitas de acaso? Ou de caso?

Friday, October 14, 2011

Limites

Parece que o mundo está em euforia. Em todo o lado é luzes, cores, acção. Toda a gente quer novo, mais, melhor. Já ninguém fala de forma honesta. Ninguém pode estar só, triste ou perdido. Não, tem de ir beber uns copos, ou até ao SPA, porque se vai sentir melhor.
O que foi feito dos bares com música ao vivo, melancólica, triste, onde as pessoas iam no final do dia beber um copo e "afogar as mágoas"? Ao bom estilo dos anos 20. Hoje toda a gente sai para se divertir imenso, beber até à exaustão e mostrar-se o melhor que souber, como que para avaliar a sua própria quota de mercado.
Hoje, toda a gente é uma personagem de cinema, que faz questão de expor a sua personalidade complexa, e as suas mágoas já superadas, porque são fortes, mas que causaram muita dor, em tempos.
O António Lobo Antunes diz não perceber as pessoas que dizem que não gostam de pessoas, mas sim da humanidade. Eu não gosto nem destas pessoas, nem desta humanidade.
Em que pessoas nos tornamos, que vamos ao cabeleireiro para ir a um jantar, que viajamos porque é moda, e que lemos porque é sinal de cultura, que tiramos fotografias para pôr no facebook, porque tudo o que temos é uma imagem pública?
Que pessoas são estas que expõem tudo, tudo! Que criam verdadeiros alter-egos para sobreviver, que se entranham tanto naquelas personalidades, que passam a ser a única coisa que possuem?
Que pessoas são estas que tratam as pessoas como descartáveis, pois ou convêm ou são inconvenientes?
Que sadismo é este? Porque nos respeitamos tão pouco? Porque desrespeitamos tão gratuitamente? Que mal nos fizeram?
Que pessoas somos que substituímos pessoas por conceitos virtuais, relações reais por abstractas ou indefinidas? Onde vamos? Onde queremos ir?
Até onde vai o limite da liberdade? O que faz a falta de limites?

Thursday, September 15, 2011

A minha viagem

Estou a horas de fazer a minha primeira viagem a sós.
Embora não esteja com sinais de nervoso miudinho, não consigo dormir :) É o entusiasmo de um passo que pensava dar há muito tempo, e que pelas mais diversas razões, só agora aconteceu.
Digo a 'minha primeira viagem a sós' porque sei que outras se seguirão.
Até aqui sabia o porquê da viagem ter obrigatoriamente um regresso. Agora não sei...