Obsessão...
Importunação perseverante.
Involuntária.
Incontrolável.
Insana.
Saturday, January 7, 2012
Sunday, December 25, 2011
Natal
Aproximava-se, e eu fazia de conta que não o via chegar. Vai a passar por mim, de frente na rua, e eu olho para o lado, muito interessada na montra de flores e arranjos, e distraída como sou, é fácil acreditar que não o vi.
Vou a sair do trabalho, para mais um fim-de-semana, e só quero descansar. Sou forçada a participar numa manifestação de boas festas digna de um óscar. Participo, como se fosse paga, e desempenho. Ufa! Acabou. Saio finalmente, fecho porta, ligo alarme, e penso: finalmente em paz!
Chego a casa, de pantufas e roupão, deito-me a ver televisão. Estou cansada, não gosto da programação, e adormeço. Acordo, em sobressalto, com o telemóvel. Percebo, e fico a ouvir Pink Floyd até se cansar de tocar. Pára. Volta a tocar, e penso, vou retirar o som. Depois penso, mas vou ter que devolver chamadas e gastar dinheiro. Deixa ver... Mais boas festas e natais felizes. E penso então que não posso fazer de conta que não o vejo, não para sempre.
Nunca gostei dele, mas agora nutro ódio.
No Natal, quem é pobre, sente-se mais pobre. Quem está triste, sente-se mais triste. Quem está só, sente-se mais só. Quem está doente, sente-se pior. Só mesmo a espécie humana para ter a capacidade de criar uma comemoração mãe, em que todos os desafortunados se sentem mais desafortunados.
Mais uma vez, porquê tanta necessidade de partilha e generosidade nesta época? Será por sabermos o mal que ela faz a alguns?
Vou a sair do trabalho, para mais um fim-de-semana, e só quero descansar. Sou forçada a participar numa manifestação de boas festas digna de um óscar. Participo, como se fosse paga, e desempenho. Ufa! Acabou. Saio finalmente, fecho porta, ligo alarme, e penso: finalmente em paz!
Chego a casa, de pantufas e roupão, deito-me a ver televisão. Estou cansada, não gosto da programação, e adormeço. Acordo, em sobressalto, com o telemóvel. Percebo, e fico a ouvir Pink Floyd até se cansar de tocar. Pára. Volta a tocar, e penso, vou retirar o som. Depois penso, mas vou ter que devolver chamadas e gastar dinheiro. Deixa ver... Mais boas festas e natais felizes. E penso então que não posso fazer de conta que não o vejo, não para sempre.
Nunca gostei dele, mas agora nutro ódio.
No Natal, quem é pobre, sente-se mais pobre. Quem está triste, sente-se mais triste. Quem está só, sente-se mais só. Quem está doente, sente-se pior. Só mesmo a espécie humana para ter a capacidade de criar uma comemoração mãe, em que todos os desafortunados se sentem mais desafortunados.
Mais uma vez, porquê tanta necessidade de partilha e generosidade nesta época? Será por sabermos o mal que ela faz a alguns?
Sunday, December 11, 2011
Lá fora os carros buzinam incessantemente. Na rua que digo ser minha, não estou habituada. Provoca-me um nervoso miudinho, que se agrava, ao fim de meia-hora. O Domingo quer-se sossegado, e o silêncio deveria ser obrigatório e sagrado. Faz-se uma corrida, cortam-se ruas sem alertar, porque a estrada é pública, e portanto, alguém considera isso sensato, ou então, alguém se esqueceu de pensar nisso. A liberdade acaba onde começa a dos outros. E neste momento, a minha liberdade está condicionada ao nervoso miudinho provocado pelos condutores enervados que buzinam como se a corrida fosse terminar por isso, provocado pelo fulano que cortou a minha estrada ( e daquelas pessoas todas) sem avisar.
Sensível, ah?
Sensível, ah?
Sinto saudades de me apaixonar. Saudade de me entusiasmar com o telefone a tocar, a hora que nunca mais chega, o tempo que só passa quando estamos juntos.
Saudades de sentir que é realmente “ali” que quero estar. Com aquela pessoa. E parece que então, o mundo faz sentido, e a vida é doce e entusiasmante, de uma forma única.
A sensação dos braços que são o melhor lugar do mundo para se estar, os reencontros, as descobertas apaixonantes. As memórias repetidas como que em película de cinema, com fast and forward, vezes e vezes sem conta. E cada uma delas provoca um aperto, duma intensidade e sabor únicos, a cada repetição.
E parece que o tempo nunca é demais, e só se olha para o relógio para tentar ficar mais um pouco.
As promessas, os olhares intensos, os sorrisos cúmplices, e as soluções para tudo, enquanto houver vida.
Nesse tempo, o passado não tem presença, e por isso, os medos e fantasmas não têm lugar.
Disso, não consigo abdicar.
Saudades de sentir que é realmente “ali” que quero estar. Com aquela pessoa. E parece que então, o mundo faz sentido, e a vida é doce e entusiasmante, de uma forma única.
A sensação dos braços que são o melhor lugar do mundo para se estar, os reencontros, as descobertas apaixonantes. As memórias repetidas como que em película de cinema, com fast and forward, vezes e vezes sem conta. E cada uma delas provoca um aperto, duma intensidade e sabor únicos, a cada repetição.
E parece que o tempo nunca é demais, e só se olha para o relógio para tentar ficar mais um pouco.
As promessas, os olhares intensos, os sorrisos cúmplices, e as soluções para tudo, enquanto houver vida.
Nesse tempo, o passado não tem presença, e por isso, os medos e fantasmas não têm lugar.
Disso, não consigo abdicar.
Sunday, December 4, 2011
Fica mais um pouco
Parece que toda a gente acha bem termos uma vida social, sim, porque somos seres sociais e a sociedade faz-nos falta. Mas mesmo que tentemos, não iremos conseguir deixar de ter vida social. Não podemos viver numa caverna.
Mas que raio de vida social é esta, das noites nos bares, com música berrante, fumo intoxicante, vestidos reluzentes e ninguém a falar com ninguém? E ficamos mais um pouco, porque ainda é cedo para ir para casa. É cedo para acabar com uma coisa que não dá prazer nenhum, e com a qual não ganhamos nada. Não percebo. E fico mais um pouco e tento perceber a motivação de quem me pede para ficar mais um pouco. Olho à volta, e toda a gente olha à volta. Depois cruzam-se uns olhares, de pessoas que nunca vou querer conhecer, pois não gosto de pessoas que se vestem daquela forma. Não sei como sei, talvez por associação a outras pessoas que tive de conhecer, e que se vestiam daquela forma.
Penso no que gostaria realmente de estar a fazer. Várias coisas, mas essencialmente a dormir. É tarde, tenho sono, frio, e detesto o cheiro a cigarro. Podia estar a dormir.
Espero mais um pouco e olho para o copo da bebida que já terminei. Não quero outra, porque quero estar preparada para ir embora, e pedir outra bebida iria comprometer-me em mais meia hora, pelo menos.
Olho à volta, e penso nas reais motivações para estar ali. As pessoas dizem que só saindo conhecermos pessoas novas. E parece que quero conhecer pessoas novas. Na realidade não quero, até porque não aprecio assim tanto as pessoas no geral. Quero conhecer alguém, como a maioria das pessoas que ali está. Aquela pessoa em particular com quem vamos querer partilhar a vida. E como é que isso se faz? Ao que parece é saindo… Pois, em casa, só se for o homem das pizzas.
Mas que raio de vida social é esta, das noites nos bares, com música berrante, fumo intoxicante, vestidos reluzentes e ninguém a falar com ninguém? E ficamos mais um pouco, porque ainda é cedo para ir para casa. É cedo para acabar com uma coisa que não dá prazer nenhum, e com a qual não ganhamos nada. Não percebo. E fico mais um pouco e tento perceber a motivação de quem me pede para ficar mais um pouco. Olho à volta, e toda a gente olha à volta. Depois cruzam-se uns olhares, de pessoas que nunca vou querer conhecer, pois não gosto de pessoas que se vestem daquela forma. Não sei como sei, talvez por associação a outras pessoas que tive de conhecer, e que se vestiam daquela forma.
Penso no que gostaria realmente de estar a fazer. Várias coisas, mas essencialmente a dormir. É tarde, tenho sono, frio, e detesto o cheiro a cigarro. Podia estar a dormir.
Espero mais um pouco e olho para o copo da bebida que já terminei. Não quero outra, porque quero estar preparada para ir embora, e pedir outra bebida iria comprometer-me em mais meia hora, pelo menos.
Olho à volta, e penso nas reais motivações para estar ali. As pessoas dizem que só saindo conhecermos pessoas novas. E parece que quero conhecer pessoas novas. Na realidade não quero, até porque não aprecio assim tanto as pessoas no geral. Quero conhecer alguém, como a maioria das pessoas que ali está. Aquela pessoa em particular com quem vamos querer partilhar a vida. E como é que isso se faz? Ao que parece é saindo… Pois, em casa, só se for o homem das pizzas.
Sunday, November 20, 2011
Velhos amigos
Hoje tive um encontro virtual muito feliz. Decidi ficar por casa para aproveitar o silêncio de um serão sem pressa de dormir. Ao fazê-lo fui presenteada com duas conversas deliciosas, com pessoas que cruzaram a minha vida na mesma altura e por quem sinto uma ternura do mais puro e genuíno.
Curioso, raramente falo com eles, e hoje, falei com os dois em simultâneo. Foi um pequenino regresso ao passado, com sabor a conversa de café de sábado à noite.
Em breve tenciono visitá-los pessoalmente à terra das tulipas, que é só a minha flor de eleição. :)))
Curioso, raramente falo com eles, e hoje, falei com os dois em simultâneo. Foi um pequenino regresso ao passado, com sabor a conversa de café de sábado à noite.
Em breve tenciono visitá-los pessoalmente à terra das tulipas, que é só a minha flor de eleição. :)))
O "in" das relações
Será que alguma vez o amei realmente? Ou terei amado a ideia de ter algo tão inatingível? A linha entre as duas ideias parece bastante difusa. Não consigo distinguir o que era mais fascinante. A ideia de conhecer um mundo novo, o facto de saber que não lhe devia pertencer, ou a pessoa com quem o queria fazer.
O mundo das relações é um conjunto de vontades, desejos, necessidades, personalidades, que torna tudo muito complicado de definir.
Conhecendo a mim própria, dentro do possível, conheço também a minha vontade de ter o inalcançável. Conheço ainda melhor a minha reacção quando me dizem que é impossível. E só sei parar quando tiver conseguido. Será que foi o que fiz? Será que não segui obstinadamente uma conquista impossível, só para provar a mim mesma que conseguia?
Cada relação é feita de momentos. Momentos entre as partes, e momentos de cada uma das partes. Os sentimentos de tristeza, fragilidade, abandono, desenham momentos do próprio que condicionam a relação das partes. Noutro contexto, teria eu tido as mesmas atitudes?
Porque decidi manter as amarras para ser chicoteada? Sim porque, embora o chicote estivesse na mão de outra pessoa, eu escolhi continuar presa. Será ainda por pensar que nada é pior do que não ter nada? Mas não é. Sem nada estava eu a ficar. Sem dignidade sequer.
Aprendi a não correr atrás do impossível. Porque o impossível existe e é ditado por uma das partes. Unicamente por isso.
Aprendi ainda que não sou uma pessoa do meu tempo. Não estou preparada para relações indefinidas, invulgares, ou mascaradas de qualquer outro “in”, ou qualquer outra cor que não a da sinceridade.
Não me considero uma pessoa romântica, mas tenho sentimentos nobres. E não me identifico com as indefinições que as pessoas atribuem às relações, que não passam de caprichos de quem tudo quer só por querer.
Apesar de tudo, acredito no amor, e é essa partilha que procuro.
O mundo das relações é um conjunto de vontades, desejos, necessidades, personalidades, que torna tudo muito complicado de definir.
Conhecendo a mim própria, dentro do possível, conheço também a minha vontade de ter o inalcançável. Conheço ainda melhor a minha reacção quando me dizem que é impossível. E só sei parar quando tiver conseguido. Será que foi o que fiz? Será que não segui obstinadamente uma conquista impossível, só para provar a mim mesma que conseguia?
Cada relação é feita de momentos. Momentos entre as partes, e momentos de cada uma das partes. Os sentimentos de tristeza, fragilidade, abandono, desenham momentos do próprio que condicionam a relação das partes. Noutro contexto, teria eu tido as mesmas atitudes?
Porque decidi manter as amarras para ser chicoteada? Sim porque, embora o chicote estivesse na mão de outra pessoa, eu escolhi continuar presa. Será ainda por pensar que nada é pior do que não ter nada? Mas não é. Sem nada estava eu a ficar. Sem dignidade sequer.
Aprendi a não correr atrás do impossível. Porque o impossível existe e é ditado por uma das partes. Unicamente por isso.
Aprendi ainda que não sou uma pessoa do meu tempo. Não estou preparada para relações indefinidas, invulgares, ou mascaradas de qualquer outro “in”, ou qualquer outra cor que não a da sinceridade.
Não me considero uma pessoa romântica, mas tenho sentimentos nobres. E não me identifico com as indefinições que as pessoas atribuem às relações, que não passam de caprichos de quem tudo quer só por querer.
Apesar de tudo, acredito no amor, e é essa partilha que procuro.
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